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Exposição de Fotografia - Reminiscências
Edifício da Câmara Municipal de Lagoa de 15 de Maio a 18 de Abril de 2013

GENUÍNA
Às vezes acho que me magoo com ávido gosto, como se tentasse remoer uma dor que me acalenta a vontade de viver. Acabo por escrever outras peles através dos olhos do meu apaixonado masoquismo, das vis mentiras que nunca me atrevi a contar. Às vezes sinto que sou um monstro! É na vontade que o tempo pare, me pare muitas vezes, que consigo saber da verdade, que cada verdade tem um nome e um rosto …



AMOR
E se invisível for perfeito demais para os humanos. E se visível for imperfeito demais para quem sente.



SIMBIOSE
A abnegação é a utopia humana: - Sou em ti. - És em mim.
É da nossa diferença a riqueza da vida.



PERMANENTE

Doem-me os olhos da perversidade que me desassocia das coisas que não consigo explicar. Levo ombros. Carrego as palavras cansadas dos punhos brancos os verbos sem tempo e os versos das bocas rasgadas por ósculos sem dono para travar sempre a mesma contenda de me libertar desta necessidade…
Depois, doem-me as mãos, o corpo, a vida. Dói-me a vida!



LEVEZA

A esperança é areia que escorre por entre os dedos quando o argumento da vida se reescreve na constância das ondas.
A nossa fragilidade é ser.



BREVE

O tempo não é nosso, este lugar nunca será nosso… que coisa é esta que nos destrói os sonhos e fica embalando as horas quando o sono não chega?! Toque a vida com a ponta dos dedos.



EXÓRDIO

Escrevo-te como se fosse a última vez, sempre como se fosse a última vez, numa tentativa de me apartar do passado, como se assim desculpasse todas as vezes que penso em escrever-te de novo.



AGONIA

Permita que eu me apresente, sou uma mulher de riquezas e bom gosto, roubei a alma e a fé de muita gente. Eu estou presente nas cordas e nos gomes das facas que sonegam a vida a uns e no contorno das cicatrizes de outros. Prazer em conhecer-te não precisas adivinhar o meu nome o meu jogo é outro.



PROFUNDO

Ponho as mãos nos bolsos e vagueio nas horas gastas pela rua de ninguém.
Fecho os olhos à espera que o deserto se povoe e a calçada se vista todas as manhãs de veludo.



FATUM
A verdade está na desnecessidade do tempo, nos silêncios de pardo interesse, no desgaste da espera e no desespero da demora. A hipocrisia veste-se para sair do esquecimento, na forma discreta de digerir os nossos nadas. Na multidão justifica-se as mentiras porque o medo é feito de muitas retinas. Somos todos astutos no desencanto da vida.


ADEUS

Às vezes é o medo, e eu ato-me a ti como se fosses imortal.
Às vezes é nada.
Eu desato os nós que a vida nos deu.
Às vezes deixo-te partir, mas é tão difícil seguir, andar em frente, quando se perde o motivo pelo qual se caminha...



POESIA

Queria ser nuvem
ou folha caída
ou nada,
       ser tão pouco,
       ser tanto…
                        vento apenas,
       ser frio que sentes e não vês.

Podia ser chuva
ou flor nascida
ou tudo,
      ser tão intensa,
      ser pranto…
                          palavras apenas,
      ser sentido sentimento e não vês.



FORTALEZA

Sorriem os lábios que a tristeza adoça quando a luta cessa.
Ali secam as lágrimas.
Erguem-se muros invisíveis por fora.



ALMA

Há uma chama que queima o meu coração, que toma conta de mim, puxa-me para fora dos abismos e guia-me onde quer que vá. Há uma chama que incendeia o que sinto, visível aos olhos, sobrevive por dentro da pele e repousa na consciência de ser.



ADÁGIO

Repousa o esquecimento embalado nos braços da cegueira.
Adormece a lembrança ao som do silêncio mudo dos fantasmas.
E grita a vida. A renúncia é a dor sem nunca sentir.



AVIDEZ
O oásis só faz sentido no deserto. A sede só tem sentido na vida. 
A vontade não se encontra na multidão. A fome não sacia a existência.



LIMIAR

Sei onde mora a consciência, sei das suas coordenadas e consigo dizer a latitude dos seus abismos. Nem sempre o pensamento é sábio, nem sempre fazer conjugações com o vazio é a melhor forma de nos manter vivos, porque a morte também acontece nas alíneas de pensamentos desnecessários.



ALÉM

Uma pequena mancha preta no sol, é a mesma de ontem, há um lenço preso no topo, há um mastro com uma bandeira que o vento teima em parar. Estamos por dentro da tempestade e o mundo gira longe da nossa vontade.



EPÍLOGO

A vida não acaba com a morte de alguém, mas quando morres a vida de todos acaba para ti.
          Tudo acaba em ti e nada acaba contigo.
                              A vida e tudo continuam depois de ti e de todos.



SECRETO

Lá em cima há uma sala. No canto mais afastado está um espelho, junto à janela uma cadeira de baloiço e em frente um incerto relógio. Lá em cima podia existir uma sala, sem espelho, com um relógio certo em frente à entrada, e um divã  junto à janela. Lá em cima há tanto lugar...